FEIRAS DE NEGÓCIOS

Feiras de negócios: Inovação para sobreviver


23 de Fevereiro de 2021

Por conta da pandemia e independente das nossas ações ou vontades, o nosso campo de batalhas mudou por completo.

A essência das feiras de negócios B2B é colocar frente a frente os players que geram oportunidades de negócios. Só que no cenário atual, a maneira como os fornecedores e os compradores estão se relacionando mudou por completo.

Menor intensidade de visitas de representantes e vendedores nos clientes, contatos apenas virtuais com os potenciais.

Em (mais um) brilhante artigo publicado recentemente, o meu grande mestre Francisco Madia, relembra poderosas orientações do pai da administração moderna Peter Drucker. São sete as oportunidades para a inovação:

·         A primeira, decorrência de um acontecimento inesperado – um evento qualquer, independente de ser um sucesso ou um fracasso;

·         A segunda, a que decorre de uma incongruência: a distância entre nossas expectativas e o verdadeiramente alcançado;

·         A terceira, decorrente da necessidade de se criar um novo processo;

·         A quarta, que decorre de uma mudança na estrutura daquela indústria ou mercado específico pegando todos desprevenidos;

·         A quinta, mudanças demográficas;

·         A sexta, mudanças nas percepções dos consumidores, e;

·         A sétima, o advento de um novo acontecimento ou tecnologia.

Olhando atentamente para essa relação constatamos que praticamente todos os pontos estão presentes no cenário atual.

Então, não há a menor dúvida de que insistir no modelo tradicional das feiras de negócios, sem que nada de novo lhe seja acrescentado, certamente tenderá ao fracasso. Acreditar piamente que o futuro irá repetir o passado é algo, no mínimo, muito arriscado.

Estamos diante da oportunidade de levar outro ensinamento do Drucker muito a sério: “Todas as empresas, de todos os portes e setores de atividades, têm duas e exclusivamente duas funções. Marketing e Inovação. Marketing para conquistar e preservar clientes, e Inovação, para sobreviver.”

Para inovar não é obrigatório, e, talvez, nem mesmo aconselhável que se provoque mudanças muito radicais. No caso das feiras é preciso, antes de tudo, lembrar que a excelência da ferramenta está exatamente no contato presencial, o que nos leva para resolver a questão de evitar aglomerações quando realizadas em um futuro próximo.

Recentemente, fiz um artigo no qual explorava a possibilidade de aplicação da curva ABC/gráfico de Pareto na definição de volume de público e de volume de expositores, promovendo um retorno gradual e progressivo para os eventos de negócios.

Se a esse modelo pudermos acrescentar uma plataforma eficiente e objetiva para ampliar virtualmente o alcance, será oportuno e bem-vindo. Mas, sem excessos e sem as firulas de avatares e outros acréscimos de realidade virtual, etc., que tentam empurrar os eventos para que passem a habitar em definitivo apenas o mundo digital.

A indústria digital viu na pandemia a oportunidade de se apropriar da realização dos eventos físicos e tenta com seu elevado poder de comunicação convencer a sociedade de que eles vieram para ficar para sempre. Há muito para se refletir a esse respeito.

Não observar que a excelência dos eventos de negócios está intimamente ligada ao contato físico, espontâneo, empático e normalmente muito produtivo, significa robotizar uma atividade que só mantém o sucesso que apresenta por séculos exatamente porque é presencial.

Então, muita calma nessa hora. Não podemos “pivotar” as empresas de promoção de feiras e investir todos os recursos materiais e humanos em criação de plataformas digitais para simular eventos. 

Exatamente por isso, porque a maioria não passa de simulação. De imitação barata que fica a anos luz de apresentar os magníficos resultados que a participação nos eventos presenciais proporcionam para todos os envolvidos.

Para finalizar, cabe uma colocação importante no sentido de valorizar algumas iniciativas tecnológicas bem conduzidas e que estão enxergando o caráter transitório dessa situação e desenvolvendo ferramentas de fato úteis tanto para o digital quanto para o presencial. Até porque tem de ser assim, híbridos, daqui em diante, todos serão.

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